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Folha de São Paulo: Projeto de marina de Eike Batista nasce obsoleto, diz arquiteto francês

O arquiteto e paisagista francês Pascal Cribier, um dos autores do projeto de restauração do jardim das Tulherias, em Paris, vê com preocupação a proposta de reforma da Marina da Glória, no Aterro do Flamengo, no Rio.

“É um projeto que já nasce desatualizado, referente ao século 20, não ao 21”, disse ao caminhar pela marina na semana passada.

A mudança foi proposta pelo grupo EBX, do empresário Eike Batista, e está na sua terceira versão. O anteprojeto foi aprovado em janeiro pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), mas ainda passará por outras fases antes de as obras serem autorizadas.

As alterações precisam ser aprovadas previamente porque o Parque do Aterro do Flamengo, inaugurado em 1964, é tombado.

Cribier teve acesso a pontos do projeto e se mostrou preocupado –os detalhes podem ser vistos na internet, pelo endereço www.marinadagloria.com.br.

“O Brasil pode fazer papel de tolo perante o mundo”, afirmou o francês.

O arquiteto veio ao país para participar do seminário “Os jardins fazem a cidade”, organizado pela Aliança Francesa em parceria com o Jardim Botânico e a UFRJ.

LOJAS

A marina foi feita com uma visão que irá mantê-la atual por mil anos, enquanto o que está sendo projetado ficará obsoleto no curto prazo. Não foram consideradas as mudanças na sociedade. Por exemplo, haverá mais lojas [no projeto, é prevista a ampliação de cerca de 20 para 50 lojas], mas as pessoas vão compram cada vez menos em lojas físicas. Na Europa, isso já é uma realidade. Espaços com muitos estabelecimentos estão falindo.

CONVENÇÕES

Paris é uma das principais cidades do mundo em realização de convenções e congressos. Estamos repensando a forma de fazer esses eventos, que têm ficado cada vez mais afastados do centro, para preservar a cidade. A ideia de ter um centro de convenções para 900 pessoas no Parque do Flamengo é uma catástrofe absoluta, em termos sociais e econômicos.

EMBARCAÇÕES MAIORES

Ao permitir que barcos maiores tenham acesso à marina [o tamanho máximo das embarcações passará de 100 pés para 300 pés], serão criados problemas futuros, que não estão sendo dimensionados. Veneza foi praticamente destruída pelas grandes embarcações, que alteraram todo o ecossistema local.

MODERNIDADE

O Brasil tem hoje algo que é único, que faz parte da história da cidade. No lugar, será construído algo que pode ser encontrado em qualquer cidade moderna do mundo.

RIO

A geografia permite que se tenha uma visão panorâmica da cidade, isso é fabuloso. Há equilíbrio entre a cidade e os morros, com plantas nascendo em todos os lugares. É uma das cidades mais bonitas do mundo. Mas há um edifício que me decepcionou [condomínio empresarial Torre do Rio Sul, em Botafogo]. É um prédio muito grande, visível de qualquer lugar, ele faz com que as montanhas ao seu redor pareçam menores do que são. Estraga a paisagem. É preciso ter muito cuidado para que esses detalhes não estraguem o visual da cidade.

Leia a matéria na Folha de São Paulo

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